Basta para mim ter Teté a meu lado. – Gramática On-line
Ele não negoceia com qualquer um.
14 de março de 2014
Esqueci o nome dela. / Esqueci-me do nome dela.
14 de março de 2014

Basta para mim ter Teté a meu lado.

Apesar de o Word querer corrigir a frase acima para “Custou para eu acreditar nela”, o uso de mim está adequado ao padrão culto da língua. O corretor do Word está equivocado. Aliás, não confie nas correções do Word, principalmente as que sublinham as palavras em verde. As que sublinham em vermelho geralmente não apresentam problema, pois são correções ortográficas. Quem tem o programa antigo, porém, terá a correção anterior à Reforma Ortográfica, ou seja, terá uma correção equivocada, de acordo com a ortografia anterior à Reforma.

Por que Basta para mim ter Teté ao meu lado está certo? Vejamos a explicação:

O pronome pessoal do caso reto eu sempre exerce a função sintática de sujeito. Para se descobrir qual o sujeito de um verbo, basta ao aluno perguntar a ele: Que(m) é que …….? Por exemplo:

– Eu fiz o trabalho ontem.

Pergunta: Quem é que fez o trabalho ontem?

Resposta: eu = sujeito do verbo fazer.

Façamos o mesmo com a frase apresentada:

– Basta para mim ter Teté ao meu lado.

Há dois verbos: bastar e ter. Analisemos o verbo bastar:

Pergunta: Que é que basta?

Resposta: ter Teté ao meu lado = sujeito do verbo bastar.

Observe que o sujeito do verbo bastar é uma oração, pois onde houver verbo haverá uma oração. O sujeito representado por uma oração se chama oração subordinada substantiva subjetiva (OSSS).

NÃO IMPORTA A SEQUÊNCIA DOS TERMOS.

Num período, há a chamada ordem direta, que é a colocação do sujeito no início da oração, com o verbo logo após ele. Se a frase apresentada for escrita em ordem direta, ou seja, se a oração subordinada substantiva subjetiva iniciar o período, haverá a seguinte frase: Ter Teté ao meu lado basta para mim. Percebeu como o adequado é usar mim mesmo? Não importa qual seja a sequência dos termos, o uso de mim é o adequado:

– Para mim basta ter Teté ao meu lado.
– Ter Teté ao meu lado basta para mim.
– Para mim, ter Teté ao meu lado basta. (A vírgula é optativa)
– Basta para mim ter Teté ao meu lado.
ANÁLISE SINTÁTICA:

Sintaticamente o que ocorre é o seguinte:

O verbo bastar é denominado de verbo transitivo indireto, aquele que exige um complemento que se liga ao verbo por meio de uma preposição: aquilo que basta, basta para alguém (ou a alguém). Sempre que um verbo exigir o uso de uma preposição, esta encabeça um objeto indireto, ou seja, inicia um termo que complementa o sentido do verbo. Mim, portanto, é complemento (objeto indireto) do verbo bastar, e não sujeito do verbo ter, por isso não se deve usar eu.

Vejamos alguns elementos que funcionam como objeto indireto:

Substantivos:

 

 

 

– Basta para o aluno estudar todos os dias.

Pronomes oblíquos tônicos (preposicionados): mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas:

 

 

 

– Basta para ele estudar todos os dias. (ou para mim, para ti, para nós, para vós, para eles, sem o verbo seguinte sofrer mudança:

Basta para nós estudar todos os dias. (e não “estudarmos”.)

Pronomes oblíquos átonos (não preposicionados): me, te, lhe, nos, vos, lhes:

 

 

 

– Basta-lhe estudar todos os dias. (ou me, te, nos, vos, lhes)

Os termos o aluno, ele e lhe exercem a função sintática de objeto indireto.

BASTA PARA NÓS ESTUDAR (E NÃO ESTUDARMOS).

O mesmo acontece com os verbos custar, no sentido de ser difícil, faltar e restar: são verbos transitivos indiretos que exigem a preposição para ou a.

 

 

 

– Custa (= é difícil) ao aluno estudar todos os dias.
– Resta ao aluno estudar todos os dias.
– Falta ao aluno estudar todos os dias.

Sempre que houver bastar, custar, faltar ou restar e, no mesmo período, houver outro verbo no infinitivo, este não poderá ser flexionado, ou seja, sempre ficará invariável. Veja alguns exemplos:

 

 

 

– Basta para os alunos estudar todos os dias.

– Basta para eles estudar todos os dias.

– Basta para nós estudar todos os dias.

Isso ocorre porque, como já vimos, os termos os alunos, eles e nós não exercem a função de sujeito de estudar, e sim a de complemento do verbo bastar (objeto indireto). A concordância só seria adequada se eles exercessem a função de sujeito do verbo estudar.