Cuspir no prato que comeu. – Gramática On-line
Anita Garibaldi, (August 30, 1821 – August 4, 1849) wife and comrade-in-arms of Italian revolutionary Giuseppe Garibaldi.
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Cuspir no prato que comeu.

Prato que comeu e prato em que comeu.

Prato que comeu e prato em que comeu.

— Cuspiu no prato que comeu – eu disse.

Meu amigo, jubilado, advertiu-me:

— Errou, professor! Cuspiu no prato em que comeu!



Qual seu julgamento acerca disso? Quem está certo? Eu ou meu amigo? Ou ambos? Ou nenhum?

Soto-ponha sua opinião:


PS: Jubilado? Soto-ponha? Que é isso?

 

É de conhecimento geral que o sentido metafórico da frase “cuspir no prato que ou em que comeu” é “ser ingrato”.

O adequado é usar a preposição “em” ou descartá-la?

 

Ambos os usos são adequados, porém com sentidos diferentes, embora metaforicamente tenham o mesmo significado: “ser ingrato”. Vejamo-los:

 

O vocábulo “que” em ambas as frases é pronome relativo, que estabelece relação entre o verbo posterior e o substantivo anterior, portanto há relação em ambas as frases entre “prato” e “comer”.

Com a preposição “em”: comeu no prato. Sem ela: comeu o prato.

 

Metaforicamente, usamos “comer um prato” quando indicamos que nos servimos de um recipiente no qual a comida é servida:

 

  • Comi arroz e feijão hoje.
  • Comemos uma lasanha deliciosa.

 

E “comer em um prato” tem sentido literal, ou seja, usamos o prato para comer algo.

 

  • Quando criança, comia em pratos de plástico.

 

Portanto, dizer “cuspiu no prato em que comeu”, com a preposição “em” antes de “que”, significa cuspir no prato que acabou de usar para comer o que nele havia.

E dizer “cuspiu no prato que comeu” significa cuspir no recipiente do qual se retirou a comida e no qual ainda há conteúdo.

 

Gramaticalmente ambas as frases são adequadas. Cada um escolhe a maneira que quer usar a frase.

 

Se se quiser construir uma frase perfeita gramaticalmente, deve-se usar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo simples ou composto:

 

  • Cuspiu no prato (em) que comera. (“comera”: pretérito mais-que-perfeito simples)
  • Cuspiu no prato (em) que tinha comido. (“tinha comido”: pretérito mais-que-perfeito composto)

 

Jubilado:

 

Apesar de “jubilado” ser o particípio do verbo “jubilar”, que pode significar “encher(-se) de júbilo, de intensa alegria ou contentamento” e de o particípio poder funcionar como adjetivo, a esse vocábulo não se permite isso, ou seja, o adjetivo “jubilado” não significa “estar intensamente alegre”, como ocorre com o particípio “jubilado”.

 

“Jubilado”, adjetivo, significa “que se aposentou” ou “que perdeu direito à matrícula num curso”. Não deve, portanto, ser usado na frase apresentada. Substituamo-lo por “jubiloso, alegre, eufórico, animado”, etc.:

 

  • Meu amigo, eufórico, advertiu-me.

 

Soto-ponha:

 

O verbo “soto-pôr” significa “pôr por baixo, debaixo ou em baixo”. Sua conjugação é idêntica à do verbo pôr:

 

  • Eu ponho / Eu soto-ponho
  • Você põe / Você soto-põe
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