Das vogais átonas – Gramática On-line
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1 de março de 2014
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Das vogais átonas

1º.) O emprego do

e

e do

i, assim como o do

o

e do

u

em sílaba átona, regula-se fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da história das palavras. Assim, se estabelecem variadíssimas grafias:

a) Com

e

e

i:

ameaça, amealhar, antecipar, arrepiar, balnear, boreal, campeão, cardeal (prelado, ave, planta; diferente de cardial = “relativo à cárdia”), Ceará, côdea, enseada, enteado, Floreal, janeanes, lêndea, Leonardo, Leonel, Leonor, Leopoldo, Leote, linear, meão, melhor, nomear, peanha, quase (em vez de quási), real, semear, semelhante, várzea;
ameixial, Ameixieira, amial, amieiro, arrieiro, artilharia, capitânia, cordial (adjetivo e substantivo), corno/a, crânio, criar, diante, diminuir, Dinis, ferregial, Filinto, Filipe (e identicamente Filipa, Filipinas, etc.), freixial, giesta, Idanha, igual, imiscuir-se, inigualável, lampião, limiar, Lumiar, lumieiro, pátio, pior, tigela, tijolo, Vimieiro, Vimioso
.

b) Com

o

e

u:

abolir, Alpendorada, assolar, borboleta, cobiça, consoada, consoar costume, díscolo, êmbolo, engolir, epístola, esbaforir-se, esboroar, farândola, femoral, Freixoeira, girândola, goela, jocoso, mágoa, névoa, nódoa, óbolo, Páscoa, Pascoal, Pascoela, polir, Rodolfo, távoa, tavoada, távola, tômbola, veio (substantivo e forma do verbo vir); açular, água, aluvião, arcuense, assumir, bulir, camândulas, curtir, curtume, embutir, entupir, fémur/fêmur, fistula, glândula, ínsua, jucundo, légua, Luanda, lucubração, lugar, mangual, Manuel, míngua, Nicarágua, pontual, régua, tábua, tabuada, tabuleta, trégua, vitualha.

2º) Sendo muito variadas as condições etimológicas e histórico-fonéticas em que se fixam graficamente

e

e

i

ou

o

e

u

em sílaba átona, é evidente que só a consulta dos vocabulários ou dicionários pode indicar, muitas vezes, se deve empregar-se

e

ou

i, se

o

ou

u. Há, todavia, alguns casos em que o uso dessas vogais pode ser facilmente sistematizado. Convém fixar os seguintes:

a) Escrevem-se com

e, e não com

i, antes da sílaba tónica/tônica, os substantivos e adjetivos que procedem de substantivos terminados em

-eio

e

-eia, ou com eles estão em relação direta. Assim se regulam:

aldeão, aldeola, aldeota por aldeia; areal, areeiro, areento, Areosa por areia; aveal por aveia; baleal por baleia; cadeado por cadeia; candeeiro por candeia; centeeira e centeeino por centeio; colmeal e colmeeiro por colmeia; correada e correame por correia.

b) Escrevem-se igualmente com

e, antes de vogal ou ditongo da sílaba tónica/ tônica, os derivados de palavras que terminam em

e

acentuado (o qual pode representar um antigo hiato: ea, ee):

galeão, galeota, galeote, de galé; coreano, de Coreia; daomeano, de Daomé; guineense, de Guiné; poleame e poleeiro, de polé.

c) Escrevem-se com

i, e não com

e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula

-iano

e

-iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos

-ano

e

-ense

com um

i

de origem analógica (baseado em palavras onde

-ano

e

-ense

estão precedidos de

i

pertencente ao tema:

horaciano, italiano, duniense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniamo, goisiano (relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense (de Torre(s)).

d) Uniformizam-se com as terminações

-io

e

-ia

(átonas), em vez de

-eo

e

-ea, os substantivos que constituem variações, obtidas por ampliação, de outros substantivos terminados em vogal; cúmio (popular), de cume; hástia, de haste; réstia, do antigo reste, véstia, de veste.

e) Os verbos em

-ear

podem distinguir-se praticamente, grande número de vezes, dos verbos em -iar, quer pela formação, quer pela conjugação e formação ao mesmo tempo. Estão no primeiro caso todos os verbos que se prendem a substantivos em

-eio

ou

-eia

(sejam formados em português ou venham já do latim); assim se regulam:

aldear, por aldeia;

alhear, por alheio;

cear por ceia;

encadear

por cadeia;

pear, por peia; etc. Estão no segundo caso todos os verbos que têm normalmente flexões rizotónicas/rizotônicas em

-eio, -eias, etc.:

clarear, delinear, devanear, falsear, granjear, guerrear, hastear, nomear, semear, etc. Existem, no entanto, verbos em

-iar, ligados a substantivos com as terminações átonas

-ia

ou

-io, que admitem variantes na conjugação:

negoceio ou negocio

(cf. negócio);

premeio ou premio

(cf. prémio/prêmio); etc.

f) Não é lícito o emprego do

u

final átono em palavras de origem latina. Escreve-se, por isso: moto, em vez de mótu (por exemplo, na expressão de

moto próprio);

tribo, em vez de tribu.

g) Os verbos em

-oar

distinguem-se praticamente dos verbos em

-uar

pela sua conjugação nas formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre

o

na sílaba acentuada: abençoar com

o, como abençoo, abençoas, etc.; destoar, com

o, como

destoo, destoas, etc.; mas acentuar, com

u, como

acentuo, acentuas, etc.