Dos ditongos – Gramática On-line
Das vogais nasais
1 de março de 2014
Da acentuação gráfica das palavras oxítonas
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Dos ditongos

1º) Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, distribuem-se por dois grupos gráficos principais, conforme o segundo elemento do ditongo é representado por

i

ou

u:

ai, ei, éi, ui; au, eu, éu, iu, ou:

braçais, caixote, deveis, eirado, farnéis (mas farneizinhos), goivo, goivan, lencóis (mas lençoizinhos), tafuis, uivar, cacau, cacaueiro, deu, endeusar, ilhéu (mas ilheuzito), mediu, passou, regougar.

Obs.: Admitem-se, todavia, excecionalmente, à parte destes dois grupos, os ditongos grafados

ae (= âi ou ai) e

ao

(âu ou au): o primeiro, representado nos antropónimos/antropônimos

Caetano e Caetana, assim como nos respetivos derivados e compostos (caetaninha, são-caetano, etc.); o segundo, representado nas combinações da preposição

a

com as formas masculinas do artigo ou pronome demonstrativo o, ou seja,

ao

e

aos.

2º) Cumpre fixar, a propósito dos ditongos orais, os seguintes preceitos particulares:

a) É o ditongo grafado

ui, e não a sequência vocálica grafada

ue, que se emprega nas formas de 2ª e 3ª pessoas do singular do presente do indicativo e igualmente na da 2ª pessoa do singular do imperativo dos verbos em

-uir:

constituis, influi, retribui. Harmonizam-se, portanto, essas formas com todos os casos de ditongo grafado

ui

de sílaba final ou fim de palavra (azuis, fui, Guardafui, Rui, etc.); e ficam assim em paralelo gráfico-fonético com as formas de 2ª e 3ª pessoas do singular do presente do indicativo e de 2ª pessoa do singular do imperativo dos verbos em

-air

e em

-oer:

atrais, cai, sai; móis, remói, sói.

b) É o ditongo grafado

ui

que representa sempre, em palavras de origem latina, a união de um

u a um

i

átono seguinte. Não divergem, portanto, formas como

fluido

de formas como

gratuito. E isso não impede que nos derivados de formas daquele tipo as vogais grafadas

u

e

i

se separem: fluídico, fluidez

(u-i).

c) Além dos ditongos orais propriamente ditos, os quais são todos decrescentes, admite-se, como é sabido, a existência de ditongos crescentes. Podem considerar-se no número deles as sequências vocálicas pós-tónicas/pós-tônicas, tais as que se representam graficamente por

ea, eo, ia, ie, io, oa, ua, ue, uo: áurea, áureo, calúnia, espécie, exímio, mágoa, míngua, ténue/tênue, tríduo.

3º) Os ditongos nasais, que na sua maioria tanto podem ser tónicos/tônicos como átonos, pertencem graficamente a dois tipos fundamentais: ditongos representados por vogal com til e semivogal; ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal

m. Eis a indicação de uns e outros:

a) Os ditongos representados por vogal com til e semivogal são quatro, considerando-se apenas a língua padrão contemporânea:

ãe

(usado em vocábulos oxítonos e derivados),

ãi

(usado em vocábulos anoxítonos e derivados),

ão

e

õe. Exemplos:

cães, Guimarães, mãe, mãezinha; cãibas, cãibeiro, cãibra, zãibo; mão, mãozinha, não, quão, sótão, sotãozinho, tão; Camões, orações, oraçõezinhas, põe, repões. Ao lado de tais ditongos pode, por exemplo, colocar-se o ditongo

ui; mas este, embora se exemplifique numa forma popular como

rui = ruim, representa-se sem o til nas formas

muito

e

mui, por obediência à tradição.

b) Os ditongos representados por uma vogal seguida da consoante nasal

m

são dois:

am

e

em. Divergem, porém, nos seus empregos:

I)

am

(sempre átono) só se emprega em flexões verbais:

amam, deviam, escreveram, puseram;

II)

em

(tónico/tônico ou átono) emprega-se em palavras de categorias morfológicas diversas, incluindo flexões verbais, e pode apresentar variantes gráficas determinadas pela posição, pela acentuação ou, simultaneamente, pela posição e pela acentuação:

bem, Bembom, Bemposta, cem, devem, nem, quem, sem, tem, virgem; Bencanta, Benfeito, Benfica, benquisto, bens, enfim, enquanto, homenzarrão, homenzinho, nuvenzinha, tens, virgens, amém (variação do ámen), armazém, convém, mantém, ninguém, porém, Santarém, também; convêm, mantêm, têm (3as pessoas do plural); armazéns, desdéns, convéns, reténs; Belenzada, vintenzinho.