Eu amo mais você do que a mim mesmo. – Gramática On-line
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Eu amo mais você do que a mim mesmo.

Existem pronomes denominados de pessoais, que servem para indicar as pessoas do discurso: aquela que fala, aquela com quem se fala e aquela de quem se fala. Os pronomes pessoais são denominados de primeira pessoa (eu, nós), segunda pessoa (tu, vós) e terceira pessoa (ele, ela, eles, elas). Há, ainda, os pronomes de tratamento (você, senhor, senhora, senhorita, madame, dona, Vossa Senhoria, Sua Senhoria, Vossa Excelência, Sua Excelência, etc.). Esses pronomes podem exercer diversas funções sintáticas em uma oração: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial e adjunto adnominal. As mais comuns são sujeito, objeto direto e objeto indireto.

O pronome pessoal e o de tratamento funcionarão como sujeito quando forem o elemento sobre o qual o verbo declara algo, podendo ser agente ou paciente, ou seja, podendo praticar a ação verbal ou sofrê-la. Por exemplo: “Nós estudamos diariamente”, em que “nós” é o sujeito agente da ação de “estudar”; “Nós fomos convidados para a festa pelo gerente”, em que “nós” é o sujeito paciente da ação verbal de “convidar”.
Os pronomes pessoais que funcionam como sujeito são eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas.

 

O pronome pessoal e o de tratamento funcionarão como objeto direto quando forem o complemento de um verbo transitivo direto, ou seja, quando sofrerem a ação praticada pelo sujeito agente. Por exemplo: “O gerente convidou-nos para a festa”, em que “nos” sofre a ação praticada pelo sujeito “gerente”; “Ela encontrou-me por acaso”, em que “me” sofre a ação praticada pelo sujeito “ela”.
Os pronomes pessoais que funcionam como objeto direto são me, te, se, o, a, nos, vos, os, as.
Há também os objetos diretos preposicionados, que são objetos diretos com a preposição “a”; são eles: a mim, a ti, a si, a ele, a ela, a nós, a vós, a eles, a elas. Por exemplo: “Ela encontrou a mim por acaso”; “Ele convidou a nós”; “Amo a ti”.

 

O pronome pessoal e o de tratamento funcionarão como objeto indireto quando forem complemento de verbo transitivo indireto, ou seja, quando forem o elemento destinatário da ação praticada pelo sujeito agente. Por exemplo: “O gerente precisa de nós”, em que “nós” é o elemento destinatário do fato de o gerente precisar de algo; “Acho que ela gosta de mim”, em que “mim” é o elemento destinatário do fato de ela gostar de algo.

 

Muito bem. Sabendo isso, podemos discutir a frase apresentada: “Eu amo mais você do que a mim”. Sabe-se que o pronome “eu” exerce unicamente a função sintática de sujeito. A primeira ocorrência dele na frase está, então, adequada ao padrão culto do idioma, pois “Quem é que ama?” Resposta: “eu”, o sujeito agente da ação de “amar”. A segunda ocorrência, porém, estaria inadequada aos padrões cultos da língua se fosse usado o pronome “eu”, pois, dessa maneira haveria novamente um sujeito (Eu amo mais você do que eu amo…), mas não é essa a intenção do autor da composição musical. O que ele quis transmitir foi que “ele ama determinada pessoa mais do ele ama a si mesmo”. Usando a primeira pessoa do singular, haverá o seguinte: “Eu amo mais você do que eu me amo” ou “Eu amo mais você do que eu amo a mim mesmo”. Claro está que o pronome que deve ser colocado depois do “que” é “me” ou “a mim”, ficando assim a frase: “Eu amo mais você do que me amo!” ou “Eu amo mais você do que a mim!”

 

 

Alguns podem achar isso tudo um preciosismo sem função prática alguma. Discordo dessas pessoas, pois julgo que o ato de falar adequadamente ajuda os cidadãos a se desenvolverem socialmente. Quanto mais facilidade houver para uma boa comunicação – sem erros gramaticais – mais competência haverá para enriquecer o que de mais importante há em nossa vida: a convivência! O objetivo número um da Educação é ensinar o indivíduo a conviver. Até a Unesco tem isso como o mais importante pilar da aprendizagem: aprender a conviver. A convivência é facilitada àqueles que dominam bem o ato de se comunicar com mestria. Quem fala bem, pensa bem; quem pensa bem, planeja melhor sua vida.