Uniformidade de tratamento – Gramática On-line

Tudo o que você precisa saber sobre
Gramática está aqui!

Próclise
20 de junho de 2018
Pronomes interrogativos
19 de novembro de 2018

Uniformidade de tratamento

No Brasil, é muito comum ouvirmos frases como a seguinte:

 

– No fim do ano te darei um presente se você for aprovado.

– Eu te amo muito. Não vivo sem você!

 

Qual a inadequação? Vamos à explicação:

 

O problema reside na desuniformidade de tratamento, que consiste em concordar os pronomes e o verbo com o tratamento destinado aos interlocutores. Esclarecendo:

Se, ao conversarmos com uma pessoa, a tratarmos por você, todos os pronomes e o verbo deverão ficar na terceira pessoa do singular, já que você é um pronome de tratamento, de terceira pessoa. Caso haja mais de um interlocutor, a concordância se efetiva na terceira pessoa do plural (vocês).

Se tratarmos a pessoa por tu, todos os pronomes e o verbo deverão ficar na segunda pessoa do singular. Caso haja mais de um interlocutor, a concordância se efetiva na segunda pessoa do plural (vós).

 

Os pronomes referentes à segunda pessoa são os seguintes: tu, te, ti, contigo, teu, tua, teus, tuas; vós, vos, convosco, vosso, vossos, vossa, vossas.

 

Os pronomes referentes à terceira pessoa são os seguintes: você, vocês, o, a, os, as, lhe, lhes, se, si, consigo, seu, sua, seus, suas.

 

 

– No fim do ano te darei um presente se tu fores aprovado.

– No fim do ano lhe darei um presente se você for aprovado.

 

– Eu te amo muito. Não vivo sem ti!

– Eu a amo muito. Não vivo sem você!

 

– O presente que te dei não foi útil para ti.

– O presente que lhe dei não foi útil para você.

 

– Ele te deu o recado que te mandei?

– Ele lhe deu o recado que lhe mandei?

 

– Tu deverias preocupar-te com tua vida!

– Você deveria preocupar-se com sua vida!

 

Outro problema de desuniformidade de tratamento ocorre no uso do verbo, principalmente no imperativo, que é o uso do verbo para pedido, ordem, conselho, apelo.

Se o interlocutor for tratado por tu, o verbo no imperativo deve ser conjugado da seguinte maneira (peguemos como exemplo o verbo experimentar):

 

Constrói-se a frase assim: Todos os dias tu experimentas; retira-se a letra s do verbo: Experimenta. Este é o imperativo do verbo experimentar para a segunda pessoa do singular: Experimenta!. O mesmo ocorre com vósTodos os dias vós experimentais; retira-se o s: Experimentai!

 

Se o interlocutor for tratado por você, o verbo no imperativo será conjugado da mesma maneira que o presente do subjuntivo, que é caracterizado pela frase Espero que…. O verbo experimentar, então, fica assim: Espero que você experimente. O imperativo de experimentar para você é Experimente!. O mesmo ocorre com os pronomes nós e vocês: Espero que nós experimentemos. Espero que vocês experimentem. O imperativo, então, fica Experimentemos! e Experimentem!. Veja estas frases:

 

– Se tu gostas de cerveja, experimenta esta.

– Se você gosta de cerveja, experimente esta.

 


Pronomes possessivos