Adjunto adnominal x Predicativo – Gramática On-line

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Adjunto adnominal x Predicativo

É muito tênue a diferença entre as funções sintáticas adjunto adnominal (aa) e predicativo do sujeito (PS) ou predicativo do objeto (PO). Estes (PS e PO) modificam o sujeito e o objeto direto (raramente o objeto indireto) e não fazem parte do sujeito nem do objeto; aquele (aa) modifica o núcleo do sujeito ou o núcleo do objeto e faz parte do sujeito ou do objeto. Por exemplo:

 

  • Os alunos estudiosos geralmente leem mais que os relapsos.
  • Estudiosos, estes alunos leem mais que os relapsos.

 

– Na primeira frase, o termo estudiosos funciona como aa, pois acompanha o núcleo do sujeito alunos: Quem é que lê mais que os relapsos? Resposta: Os alunos estudiosos. Tal termo faz parte do sujeito; é, portanto, aa.

– Na segunda frase, o termo estudiosos funciona como PS, pois não faz parte do sujeito; não acompanha o núcleo do sujeito, mas sim qualifica o sujeito todo: Quem é que lê mais que os relapsos? Resposta: estes alunos. O termo estudiosos modifica o sujeito todo, não apenas o núcleo, por isso está separado por vírgula.

 

Uma maneira simples de averiguar a diferença entre o aa e o predicativo é substituir o sujeito ou o objeto por um pronome:

 

– O que desaparecer com o núcleo na substituição fará parte da função sintática e exercerá, portanto, a função de aa. Os adjetivos que estiverem dentro de qualquer função sintática, acompanhando o seu núcleo, sempre exercerão a função de aa.

– O que não desaparecer com o núcleo  na substituição formará outra função sintática. Os adjetivos que estiverem fora de  função sintática qualificando o sujeito exercerão a função de predicativo do sujeito; os que qualificarem o objeto, a de predicativo do objeto.

 

Nas frases apresentadas, se substituirmos o sujeito por um pronome, haverá a formação dos seguintes períodos:

 

– Os alunos estudiosos geralmente leem mais que os relapsos. = Eles geralmente leem mais que os relapsos.

– Estudiosos, estes alunos leem mais que os relapsos. = Estudiosos, eles leem mais que os relapsos.

 

Na primeira frase, o adjetivo estudiosos desapareceu, por isso sua função é a de aa.

Na segunda frase, o adjetivo estudiosos não desapareceu, por isso sua função é a de PS.

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Verbo transobjetivo:

Um verbo será transobjetivo quando tiver um complemento (objeto direto) com predicativo (predicativo do objeto), que é uma qualidade ou um modo de ser do complemento. Essa qualidade, porém, pode exercer a função de adjunto adnominal, e não a de predicativo, e o verbo não será mais transobjetivo, mas somente transitivo direto. Veja como estabelecer a diferença:

O adjunto adnominal sempre estará dentro da função sintática; o predicativo será uma função à parte. Observe:

  1. Conheço políticos corruptos.
  2. Considero esses políticos corruptos.

A estrutura sintática parece ser idêntica, pois em ambas as orações há verbo transitivo direto com objeto direto e uma qualidade deste. Porém, em 1 há adjunto adnominal, porque “corruptos” está dentro do objeto direto, que é “políticos corruptos”, e em 2, predicativo do objeto, porque o objeto direto é “esses políticos”, e “corruptos” é predicativo do objeto.

Para comprovar a diferença, basta substituir o objeto direto por um pronome. Se a qualidade (corruptos) desaparecer, será adjunto adnominal; se não desaparecer, predicativo do objeto. Observe:

  1. Conheço políticos corruptos.

Substituindo-se o objeto direto por um pronome: Conheço-os.

Como a qualidade desapareceu, prova-se que ela está dentro da função sintática, só acompanhando o núcleo. É, portanto, adjunto adnominal. O verbo é transitivo direto.

  1. Considero esses políticos corruptos.

Substituindo-se o objeto direto por um pronome: Considero-os corruptos.

Como a qualidade não desapareceu, prova-se que ela está fora da função sintática, formando outra. É, portanto, predicativo do objeto. O verbo é transobjetivo.

Os transobjetivos são verbos como “considerar, julgar, achar, ter como, etc.”