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Desculpem o transtorno. / Desculpem-nos do transtorno. / Desculpem-nos pelo transtorno.

          O cidadão despreocupado com a Gramática da Língua Portuguesa certamente já tropeçou na utilização do verbo desculpar; ou seria desculpar-se? Vejamos:

Há um tipo de verbos denominados de pronominais, aqueles que se conjugam obrigatoriamente com o pronome correspondente ao sujeito – me, te, se, nos, vos, se. É o caso de queixar-se, arrepender-se, suicidar-se, etc.

 

– Queixei-me da falta de educação do funcionário.

– Arrependemo-nos de tê-lo dispensado.

 

Há, porém, verbos que tanto podem ser acompanhados dos pronomes quanto não. São os acidentalmente pronominais. Alguns têm o mesmo significado com ou sem o pronome. Por exemplo, lembrar e lembrar-se, esquecer e esquecer-se. Outros têm sentidos diferentes, como sentir (perceber por meio dos sentidos) e sentir-se (ter consciência do próprio estado).

 

– Lembrei o nome dela.

– Lembrei-me do nome dela.

– Sinto muita saudade dela.

– Sinto-me bem disposto hoje.

 

O verbo desculpar é acidentalmente pronominal, ou seja, existem dois verbos – desculpar e desculpar-se. Analisemos seus usos segundo registra o dicionário Aurélio:

 

1- No sentido de expor as razões que eliminam ou atenuam a própria culpa, ambos podem ser usados, obedecendo às seguintes regras:

 

A- Não pronominal, com um complemento sem preposição ou sem complemento (“Desculpar algo” ou “Desculpar”):

 

– Desculpem o transtorno.

– OK. Errei. Desculpe.

 

B- Pronominal, com um complemento com a preposição de ou por ou sem complemento (“Desculpar-se de algo”, “Desculpar-se por algo” ou “Desculpar-se”):

 

– Desculpem-nos do transtorno.

– Desculpem-nos pelo transtorno.

– OK. Errei. Desculpe-me.

 

2- No sentido de eliminar ou atenuar a culpa de alguém, perdoar, absolver pede um complemento só sem a utilização de preposição alguma (“Desculpar algo ou alguém”).

 

– Alguns pecadores não desculpam os pecados de outrem.

– Ele é muito bondoso; sempre disposto a desculpar os outros.

 

3- no sentido de relevar, absolver de falta cometida, pode ser estruturado de duas maneiras:

 

A- Um complemento representado por pessoa, sem a utilização de preposição; outro representado por um termo abstrato ou por uma oração com a preposição de ou por (“Desculpar alguém de algo” ou “Desculpar alguém por algo”).

 

– Alguns pais não desculpam seus filhos por desrespeitar suas ordens.

– Desculpou o funcionário da falta ao trabalho.

 

B- Um complemento representado por pessoa, com a utilização da preposição a; outro representado por um termo abstrato ou por uma oração sem preposição alguma (“Desculpar algo a alguém”).

 

– O professor, rígido, não desculpou aos alunos a indisciplina cometida.

– Desculpou ao funcionário a falta ao trabalho.