Havia 22 anos que o Londrina não conquistava o Campeonato Paranaense – Gramática On-line

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Havia 22 anos que o Londrina não conquistava o Campeonato Paranaense

 

EDUCAR-SE 

Coluna da Folha de Londrina

 

Havia 22 anos que o Londrina não conquistava o campeonato paranaense

 
Esses dias, num jornal televisivo, o apresentador comunicou a morte do filho do cantor Erasmo Carlos e disse, no decorrer da notícia, a seguinte frase: "Ele estava internado há uma semana". Esse uso do verbo haver, bastante comum em nosso País, inclusive nos meios mais cultos, está inadequado à língua-padrão. Vejamos por quê: 

Os verbos haver e fazer podem indicar tempo decorrido. Quando isso ocorrer, têm de ficar na terceira pessoa do singular. O adequado, então, é dizer o seguinte: "Faz cinco anos que escrevo na Folha de Londrina"; "Há cinco anos escrevo na Folha de Londrina"; "Amanhã fará dois meses que ele viajou"; "Amanhã haverá dois meses que ele viajou". 

A utilização do tempo verbal depende de quando ocorra a ação. Nos dois primeiros exemplos dados, usou-se o presente do indicativo porque agora faz cinco anos; esta coluna iniciou-se em abril de 2009, então há cinco anos ela se iniciou. Nos dois últimos exemplos, usou-se o futuro do presente do indicativo porque ainda não se completaram dois meses; amanhã é que isso ocorrerá. 

Na frase dita pelo apresentador do jornal há a inadequação porque o jovem não estava mais internado, pois já havia falecido. Para se usar haver – ou fazer – no presente do indicativo, ele ainda teria de estar internado; a ação, porém, já se encontrava no passado. O tempo a ser utilizado é o pretérito imperfeito do indicativo: havia ou fazia: Ele estava internado havia uma semana; Ele estava internado fazia uma semana. 

Observe as seguintes frases: "Eu estava lá há três anos"; "Eu estava lá havia três anos". Qual a diferença de sentido? No primeiro exemplo, a contar de hoje, há três anos, ou seja, em maio de 2011, eu estava lá; se estava antes ou depois disso não está claro. No segundo exemplo, a contar de uma data passada, havia três anos, ou seja, durante três anos estive lá. Por exemplo, estive lá de janeiro de 2011 a janeiro de 2014, e o assunto trata deste mês – jan/2014. Se, porém, o assunto fosse jan/2014, e eu não tivesse ficado lá três anos, mas apenas em janeiro de 2011, a frase teria de ser assim escrita: "Estive lá havia três anos". Em todos os exemplos, pode-se usar o verbo fazer: "Eu estava lá faz três anos"; "Eu estava lá fazia três anos"; "Estive lá fazia três anos". 

O Londrina Esporte Clube havia sido tricampeão paranaense em 1992; 22 anos depois, em abril de 2014, conquistou o tetracampeonato. Como já estamos em maio, a ação já é passada. É inadequado, portanto, o que um radialista disse dias atrás: "Há 22 anos que o Londrina não conquistava o campeonato paranaense". O adequado ao padrão culto da língua é o uso do verbo haver ou fazer no pretérito imperfeito do indicativo: "Havia 22 anos que o Londrina não conquistava o campeonato paranaense"; "Fazia 22 anos que o Londrina não conquistava o campeonato paranaense". 

Alguém pode perguntar-me o seguinte: a coluna Educar-se completou cinco anos em abril, mês em que o Londrina, vinte e dois anos depois, conquistou o título. Por que, então, deve-se dizer "Há cinco anos escrevo na Folha de Londrina" e "Havia 22 anos que o Londrina não conquistava o campeonato paranaense"? Porque continuarei a escrever na Folha, e o Londrina conquistou o título em um momento que se estagnou; já é passado.