Mega show, mega-show, megasshow ou megashow? – Gramática On-line

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Mega show, mega-show, megasshow ou megashow?

Um dos maiores problemas que o brasileiro enfrenta ao escrever um texto, além de acentuação, ortografia e concordância, é o uso do hífen, principalmente com a Reforma Ortográfica.

 

A regra básica do uso do hífen é a seguinte: 

 

Usa-se hífen depois de prefixo* ou falso prefixo* terminado em vogal se a palavra seguinte se iniciar pela mesma vogal ou por H, salvo os prefixos re, co, pre (sem acento) e pro (sem acento), que nunca terão hífen: infraestrutura, anti-iraquiano, arqui-inimigo, anteontem, mas reeducar, coerdeiro, etc.
Caso a palavra seguinte se inicie por R ou por S, essas letras se duplicam diante de qualquer prefixo ou de falso prefixo: autorretrato, antissemita.

* Prefixo e falso prefixo são palavras que não são palavras de fato, ou seja, palavras que não podem ser usadas sozinhas em uma frase. Obrigatoriamente se ligam a outro vocábulo para formar uma palavra.

Veja alguns exemplos com mega e com mini:

mega-: megacefalia, megaprodução, megafone, megaempreendimento, megassabedoria, megarrabugice, megarreação, megassom, mega-aplicação, mega-hidrante.

mini-: minicasaco, minissaia, minibiblioteca, minidicionário, minijardim, minissérie, mini-haicai, mini-hambúrguer, mini-holofote, minirrádio, minissom, mini-imposto.

É estranho ter de duplicar o R e o S, dirá algum internauta. Concordo com a estranheza da escrita, mas é isso que preceitua a língua padrão, a que devemos obedecer – não cegamente, pois mudanças ocorrem, e são bem-vindas.

Porém, devemos tomar cuidado com essas mudanças não-oficiais. Dicionários já registram o verbo “ponhar”, o pronome “cê” (você) e o substantivo “salchicha”. Será que os cidadãos que defendem mudanças radicais na língua utilizam esses três vocábulos? Espero que não.

Algumas mudanças aceitamos, até pelo absurdo da própria regra. Veja uma delas:

É muito comum vermos na mídia a oposição a determinado político ser denominada de anti + o nome do político. Se seguirmos a regra preceituada pela gramática normativa, teremos de escrever antilula, antifhc, antiestadosunidos e até anticristo. Perderia totalmente o significado. Esses elementos, então, ficariam mais adequados escritos como a imprensa o faz: anti-Lula, anti-FHC, anti-Estados Unidos, anti-Cristo, desobedecendo às regras vigentes.

Isso prova que a língua não é imutável, não está engessada. Ela é dinâmica e modifica-se dia a dia. O que não se pode é querer mudar radicalmente.

E quanto a esta frase que foi veiculada num grande jornal brasileiro?

Haverá um mega show amanhã!

Apesar de o vocábulo “show” ser iniciado pela consoante “s“, não é palavra portuguesa e “sh” forma o que chamamos de dígrafo: duas letras com um som só (sh = x). O que há depois de mega então, não é somente a letra “s“, mas sim o ‘dígrafo’ “sh“, inexistente na Língua Portuguesa. Não se deve dobrar a letra “s“, portanto. 

 

Haverá um megashow de aniversário amanhã!