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Não se devem premiar os filhos pelas notas X Não se pretende premiar os filhos pelas notas.

Por que o verbo “dever” está no plural e “pretender”, no singular?

À primeira vista, ambas as frases têm a mesma estrutura sintática, mas não é o que ocorre de fato, pois, na primeira frase, “devem” e “premiar” formam uma locução verbal, o que não ocorre com “pretende” e “premiar”, que são dois verbos autônomos em duas orações diferentes. Vejamos o porquê disso:

Quando dois verbos indicarem uma só ação, o que representar essa ação será denominado de verbo principal e deverá estar no infinitivo (terminado em -ar, -er, -ir), no gerúndio (terminado em -ndo) ou no particípio (terminado em -ado, -ido, principalmente). O outro verbo será denominado de verbo auxiliar e deverá estar conjugado em alguma pessoa, tempo e modo, concordando com o sujeito no singular ou no plural. Na Língua Portuguesa são os seguintes os verbos auxiliares mais importantes: ter, haver, ser, estar, poder, dever, ir, querer, continuar. Por exemplo:

– Eles têm estudado muito ultimamente.

– Nós haveremos de aprender a teoria completamente.

– O aluno foi convidado para a formatura.

– A garota está escrevendo uma redação.

– Com boa vontade, pode-se aprender mais.

– Todos devem entregar a tarefa.

– Ele vai exercitar-se.

– O fogo não quer acender porque a madeira está molhada.

– Continuou reclamando por horas!

 

Uma locução verbal forma um todo indissolúvel e como tal deve ser tratada. A análise sintática de uma oração que tenha locução deve ser realizada como se houvesse um verbo só. Vejamos a frase apresentada:

 

– Não se devem premiar os filhos pelas notas.

 

“Devem premiar” é uma locução verbal, cujo sujeito é paciente: “os filhos”. Isso ocorre em virtude da presença do pronome “se”, denominado de “partícula apassivadora”. Sempre que o pronome “se” acompanhar um verbo que exige complemento sem preposição – aquele chamado de verbo transitivo direto; este, de objeto direto – e esses dois estiverem presentes na frase, ele será chamado de partícula apassivadora e transformará o objeto direto em sujeito paciente, ou seja, sujeito que sofre a ação verbal.

É o que ocorre na frase, pois a locução verbal “devem premiar” exige complemento sem preposição – devem premiar alguém, que está presente na frase: “os filhos”, sujeito que sofre a ação de “devem premiar”. Como o sujeito está no plural, o verbo também tem de estar. Por isso o auxiliar fica no plural: “devem”. A frase equivale à seguinte: “Os filhos não devem ser premiados pelas notas”.

A segunda frase, porém, não tem locução verbal – “pretender” não é verbo auxiliar. Cada verbo, portanto, deve ser analisado individualmente: “Pretender” é verbo transitivo direto, pois exige complemento sem preposição: “alguém pretende algo”. O seu complemento está na frase: “O que não é pretendido”? “Premiar os filhos pelas notas”. O pronome “se”, então, é denominado de partícula apassivadora, e a oração “premiar os filhos pelas notas” é o sujeito paciente do verbo “pretender”. Quando o sujeito de um verbo for uma oração, ele terá de ficar no singular, por isso “pretende”, no singular. Observe que a frase não equivale a “Os filhos não pretendem ser premiados pelas notas”, mas sim a “Não é pretendido premiar os filhos pelas notas”.