Precisam-se homens honestos. – Gramática On-line

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Precisam-se homens honestos.

Certamente a maioria dos leitores desta coluna estranhou a frase apresentada. Entendo perfeitamente, porque o verbo precisar, no sentido de “ter necessidade; carecer, necessitar”, é pouquissimamente usado dessa maneira. No Brasil, usamo-lo quase exclusivamente com a preposição de: Quem precisa, precisa de algo ou de alguém. Ocorre, porém, que ele também pode ser usado sem preposição alguma, com dois sentidos: Indicar ou exprimir com precisão, como nesta frase:

 

– O bandido precisou o local em que estava o produto do assalto.

 

E no sentido de ter necessidade; carecer, necessitar”, como nesta frase:

 

– Precisamos mais dinheiro para esse projeto.

 

Frase que tem o mesmo sentido da seguinte:

 

– Precisamos de mais dinheiro para esse projeto.

 

Precisar não é o único verbo com essa característica: necessitar também pode ser usado com ou sem a preposição de, mantendo o mesmo significado. O mesmo ocorre com crer e acreditar. Observe as seguintes frases:

 

– Mãe, necessita algo do mercado? (ou “de algo”)

– Creia Deus, que tudo pode. (ou “em Deus”).

– Acredito que o País ainda crescerá muito. (ou “em que…”.

 

Sabido isso, podemo-nos aprofundar um pouco mais nos estudos: Quando um verbo tiver complemento sem preposição, como ocorre em “Quem precisa, precisa algo”, é denominado de verbo transitivo direto, e seu complemento – o termo paciente, pois sofre a ação verbal – de objeto direto. Em Precisamos mais dinheiro, precisar é transitivo direto, e mais dinheiro, objeto direto.

Se a um verbo transitivo direto com objeto direto se somar o pronome se, a oração passará a ser passiva, cuja característica é ter o termo paciente como sujeito. O se é denominado de partícula apassivadora.

 

Conclui-se, então, que, se se somar o pronome se – partícula apassivadora – a um verbo transitivo direto com objeto direto, este se transformará em sujeito paciente, e o verbo terá de concordar com ele: singular/plural. Por exemplo, uma frase que constantemente lemos pela cidade:

 

– Alugam-se casas.

 

Por que o verbo fica no plural? Porque alugar é transitivo direto (Quem aluga, aluga algo), e casas, sujeito. Foi a partícula apassivadora que transformou o objeto direto casas em sujeito. Como está no plural, o verbo também terá de ficar no plural. Esse é o porquê de a frase apresentada como título deste texto ter o verbo no plural:

 

– Precisam-se homens honestos.

 

PRECISA-SE DE HOMENS HONESTOS

 

Quando um verbo tiver complemento com preposição, como ocorre em “Quem precisa, precisa de algo”, é denominado de verbo transitivo indireto, e seu complemento de objeto indireto. Em Precisamos de mais dinheiro, precisar é transitivo indireto, e mais dinheiro, objeto indireto.

Se a um verbo transitivo indireto com objeto indireto se somar o pronome se, a oração continuará a ser ativa, pois o sujeito continuará a praticar a ação e será denominado de sujeito indeterminado. O pronome se é denominado de índice de indeterminação do sujeito, e o verbo tem de ficar no singular.

 

Conclui-se, então, que, se se somar o pronome se – índice de indeterminação do sujeito – a um verbo transitivo indireto com objeto indireto, o sujeito será indeterminado, e o verbo terá de ficar no singular. Por exemplo:

 

– Confia-se nas promessas eleitoreiras.

 

Por que o verbo fica no singular? Porque confiar é transitivo indireto (Quem confia, confia em algo), e promessas eleitoreiras, objeto indireto. O índice de indeterminação do sujeito indica que o sujeito é indeterminado e que o verbo tem de ficar no singular. Esse é o porquê de a frase Precisa-se de homens honestos ter o verbo no singular.