Quero minha vida mais bela; não que não o seja, mas quero-a mais bela do que já é. – Gramática On-line

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Quero minha vida mais bela; não que não o seja, mas quero-a mais bela do que já é.

Os pronomes oblíquos o, a, os, as são substitutivos de substantivos que complementam verbos sem preposição. Não se deve usar ele, ela, eles, elas para complementar tais verbos, pois esses devem ser usados como sujeito de um verbo ou com preposição, mesmo que o verbo não a exija; nesse caso, quando o verbo não exigir preposição, pode-se usar a preposição a. Por exemplo, observe a seguinte frase:

“Os cachorros respeitam seus donos”, em que cachorros exerce a função de sujeito do verbo respeitar. Poderia, então, ser substituído por eles:

“Eles respeitam seus donos”.

O verbo respeitar não exige preposição alguma (Quem respeita, respeita alguém) o substantivo donos, que complementa o verbo, não poderia, portanto, ser substituído por eles como é muito comum aos brasileiros. É, portanto, inadequada ao padrão culto da língua a frase “Os cachorros respeitam eles”. Poderia, porém, usar-se esse mesmo pronome, porém com a preposição a:

“Os cachorros respeitam a eles”.

Observe, agora, a seguinte frase:

“As crianças precisam dos pais”.

Poderia substituir-se crianças por elas, pois é o sujeito da oração, e pais por eles, pois há a preposição de, exigida pelo verbo (Quem precisa, precisa de alguém):

“Elas precisam deles”.

 

Os pronomes o, a, os, as substituem substantivos, por isso ficarão como eles, ou seja, serão masculinos ou femininos e ficarão no singular ou no plural como os substantivos. É o que ocorreu na frase apresentada com o pronome a, que substituiu o substantivo vida:

“Quero minha vida mais bela do que já é = Quero-a mais bela do que já é”.

O verbo querer não exige preposição alguma (quem quer, quer algo), por isso o uso de a, e não de ela. Seria também possível usar o pronome ela com a preposição a: a ela:

“Quero a ela mais bela do que já é”.

Essa construção, porém, seria muito inusitada e tornaria mais difícil a compreensão da frase, além de que, acredito, a rima ela/bela soaria estranha; se fosse poesia, seria até aceitável.

 

PRONOMES DEMONSTRATIVOS

 

Ocorre, porém, que o, a, os, as não são somente pronomes oblíquos átonos. Podem ser também pronomes demonstrativos, usados no lugar de este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, que, por sua vez, também substituem substantivos. Observe o seguinte exemplo:

“Esse aparelho é diferente do aparelho que você me mostrou ontem”.

Para evitar a repetição do substantivo aparelho, pode-se usar o pronome demonstrativo aquele:

“Esse aparelho é diferente daquele que você me mostrou ontem”.

No lugar do pronome aquele, pode-se ainda usar o:

“Esse aparelho é diferente do que você me mostrou ontem”.

 

Os pronomes demonstrativos não substituem somente substantivos. Eles também podem substituir adjetivos ou até uma frase inteira. Quando isso acontecer, o que deve ser usado é um pronome neutro – isto, isso e aquilo – não um masculino nem um feminino. Esses ainda podem ser substituídos por o. Observe que acabei de usar um deles, na frase “Quando isso acontecer”. O pronome isso substitui uma frase inteira: a frase “substituir adjetivos ou até uma frase inteira”, como expliquei logo em seguida. Veja agora um exemplo em que se substitui um adjetivo:

“Você julga essas garotas rancorosas, mas elas não o são”.

O pronome o substitui o adjetivo rancorosas.      

Poderia usar-se também o pronome isso:

“Você julga essas garotas rancorosas, mas elas não são isso”, por isso não se usou o pronome a.

 

Na frase apresentada “Quero minha vida mais bela; não que não o seja, mas quero-a mais bela do que já é”, o pronome o substitui o adjetivo bela:

“Quero minha vida mais bela; não que não seja bela, mas quero-a mais bela do que já é”.

Poderia também usar-se o pronome isso:

“Quero minha vida mais bela; não que não seja isso…”.

O pronome a não caberia nessa construção porque não se substituiu um substantivo, e sim um adjetivo.