Sujeito oculto x Sujeito indeterminado – Gramática On-line

Gramática e Produção de textos
descomplicadas!

Já passava das 7h quando ela chegou.
19 de novembro de 2018
Funções sintáticas dos pronomes relativos que, quem, qual
20 de novembro de 2018

Sujeito oculto x Sujeito indeterminado

Esses dois tipos de sujeito podem confundir o estudante, pois em alguns casos são bastante parecidos. Antes de analisarmos o que causa a confusão e como esses sujeitos se comportam em uma oração, o estudante tem de saber como encontrar o sujeito de uma oração. Faz-se o seguinte:

1- Encontra-se o verbo – ou a locução verbal – da oração;

2- Pergunta-se ao verbo – ou à locução verbal – quem é o sujeito por meio da seguinte frase:

Que(m) é que …………? Nos pontilhados, coloca-se o verbo – ou a locução verbal – da oração. Por exemplo:

– A ganância predomina nas relações interpessoais.

Para se encontrar o sujeito, pergunta-se ao verbo Que é que predomina?

Resposta: A ganância.

O sujeito é classificado como simples, pois aparece escrito na oração.

Vejamos, agora, como os sujeitos oculto e indeterminado se comportam em uma oração:

Sujeito oculto

O sujeito se classificará como oculto em três ocasiões:

1- Quando o sujeito for um destes pronomes: eu, tu, ele, ela, você, nós ou vós, não surgindo na oração. Por exemplo:

Gosto de estudar. (Sujeito oculto: eu)

Aplicaremos os exames excepcionalmente em outubro. (Sujeito oculto: nós)

2- Quando o sujeito não aparecer escrito na oração do verbo em questão, mas surgir claramente em oração anterior. Por exemplo:

Você sempre diz que é sincero. Parece-me, no entanto, que mentiu para todos nós.

Nessa última frase, há quatro verbos: dizer, ser, parecer e mentir. Dois deles têm sujeito oculto: ser e mentir. Vejamos:

O sujeito do verbo dizer é simples, pois aparece escrito na oração em que o verbo dizer está: você.

O sujeito do verbo ser é oculto, pois não aparece escrito na oração em que o verbo ser está (que é sincero), mas surge claramente na oração anterior: Você sempre diz que você é sincero.

O sujeito de parecer é a oração que mentiu para todos nós: O que é que parece? Resposta: que mentiu para todos nós.

O sujeito de mentir é novamente oculto, pois não aparece escrito na oração em que o verbo mentir está (que mentiu para todos nós), mas surge claramente em oração anterior: Parece-me que você mentiu para todos nós.

3- Quando o verbo estiver no modo imperativo, que é o modo que indica ordem, pedido, conselho, apelo.

Há duas exceções: os verbos bastar e chegar, acompanhados da preposição de, são impessoais, ou seja, não têm sujeito; por isso devem ser conjugados na terceira pessoa do singular.

– Rapazes, chega de conversa. (Verbo impessoal; oração sem sujeito)

– Meninas, basta de fofocas. (Verbo impessoal; oração sem sujeito)

Todos os outros verbos no imperativo têm sujeito oculto: tu, você, nós, vós e vocês.

– Rapaz, estuda! (Sujeito oculto: tu)

– Rapaz, estude! (Sujeito oculto: você)

– Rapazes, estudemos! (Sujeito oculto: nós)

– Rapazes, estudai! (Sujeito oculto: vós)

– Rapazes, estudem! (Sujeito oculto: vocês)

Sujeito indeterminado

O sujeito se classificará como indeterminado em duas ocasiões:

1- Quando o verbo estiver na terceira pessoa do plural, nos modos indicativo ou subjuntivo (se estiver no imperativo, o sujeito será oculto, vocês), sem aparecer o sujeito escrito na oração nem em orações anteriores. Por exemplo:

– Instalaram vários sinaleiros em Londrina, nas últimas semanas. (Sujeito indeterminado, pois não está claro quem instalou os sinaleiros)

– Deixaram um pacote para você na recepção. (Sujeito indeterminado, pois não está claro quem deixou o pacote)

2- Quando o verbo for acompanhado do pronome se, que será denominado de índice de indeterminação do sujeito, nas seguintes ocasiões:

a) Pronome se acompanhando verbo sem complemento algum (o verbo será denominado de verbo intransitivo):

– Morre-se de Aids!

O pronome se é índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo morrer não tem complemento: Quem morre, morre. O verbo morrer é, portanto, intransitivo. O sujeito é, então, indeterminado.

b) Pronome se acompanhando verbo com preposição.

– Precisa-se de coragem para enfrentar o mercado de trabalho hoje em dia!

O pronome se é índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo precisar exige a preposição de: Quem precisa, precisa de algo. O verbo que exige preposição é denominado de verbo transitivo indireto. O sujeito é, então, indeterminado.

c) Pronome se acompanhando verbo que indica qualidade do sujeito (o verbo será denominado de verbo de ligação, e a qualidade, de predicativo do sujeito):

– Aqui se é feliz!

O pronome se é índice de indeterminação do sujeito, pois o verbo ser indica qualidade do sujeito: Alguém é feliz. O verbo ser é, portanto, verbo de ligação, e feliz, predicativo do sujeito. O sujeito é, então, indeterminado.

Obs.: Cuidado com o pronome se, pois há uma ocasião especialíssima em que ele será denominado de partícula apassivadora: quando ele acompanhar verbo com termo paciente, sem preposição, que será o sujeito da oração. Como o termo paciente é o sujeito do verbo, este deverá concordar com aquele. O verbo será denominado de transitivo direto. Veja um exemplo:

– No mundo contemporâneo, busca-se a riqueza, enquanto se deveriam buscar os valores.

O pronome se, em ambas as orações, é partícula apassivadora, pois acompanha verbo com termo paciente, sem preposição algumaQuem busca, busca algo (verbo transitivo direto). O termo paciente da primeira oração é a riqueza (a riqueza é buscada); o da segunda oração é os valores (os valores deveriam ser buscados). Como, na segunda oração, o sujeito está no plural, a locução verbal deveriam buscar também fica no plural.