Vai haver a Copa. – Gramática On-line

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O verbo “pedir” e a preposição “para”.
20 de junho de 2018
Quite, anexo e incluso
20 de junho de 2018

Vai haver a Copa.

Uma frase ecoa na maioria das manifestações contra a corrupção e os gastos excessivos as quais ocorrem nas grandes cidades brasileiras: “Não vai ter Copa”. É assim que se fala na Língua Portuguesa? Não, apesar de no Português brasileiro ser muito comum. Na Europa e na África  também há dizeres diferentes do que usamos aquém-mar. Vamos à explicação: 


O verbo “ter” tem dezenas de significados – quarenta e cinco, segundo o dicionário Houaiss; nenhum deles, porém, contempla o que a frase “Não vai ter Copa” exprime.

Para se usar o verbo “ter”, há de haver sujeito, ou seja, “alguém tem de ter algo”, como em

“O Brasil tem muitos corruptos”;

“Os corruptos não têm escrúpulos”;

“A Seleção Brasileira tem cinco títulos de campeã mundial”.

Não é o que ocorre, porém, na frase das manifestações. 

Ao entoar a frase “Não vai ter Copa”, o que os manifestantes querem transmitir é o desejo de que a Copa do Mundo não se realize no Brasil. Ou uma ameaça: “Não deixaremos que a Copa do Mundo se realize! ” Em ambos os significados, o verbo “ter” seria inadequado. O verbo a ser utilizado tem de ser impessoal, ou seja, não pode haver sujeito nessa frase, ou o sujeito tem de ser “a Copa”. 

Para que o sujeito seja “a Copa”, deve-se utilizar um destes verbos: “existir”:

“A Copa não vai existir”;

Ou “acontecer”:

“A Copa não vai acontecer”;

Ou “realizar-se”:

“A Copa não vai realizar-se”;

Ou “ocorrer”:

“A Copa não vai ocorrer”.

O verbo “ter”, porém, não pode ser utilizado, pois não há o sentido de “alguém ter a Copa”. Não há a indicação de posse nessa frase. 

Para que não haja sujeito e “a Copa” seja complemento verbal, o verbo a ser utilizado tem de ser “haver”, que será impessoal quando significar “existir, acontecer, ocorrer, suceder, realizar-se” ou quando indicar tempo decorrido. Por exemplo:

“Houve (= existir) casos de corrupção”;

“Haverá (= acontecer) a Copa”;

“Há (tempo decorrido) dez dias ele partiu”. 

“Não vai haver a Copa”.

Essa é a frase adequada ao Português culto, à língua-padrão. Se quiser deixar a frase mais elegante, basta substituir a locução verbal “vai haver” pelo verbo no futuro do presente:

Não haverá a Copa.

O ideal, porém, é retirar a negação já que a Copa se realizará: “Vai haver a Copa”. 

No Brasil houve a Copa do Mundo de 1950 e, agora, a de 2014. Passaremos a dizer, portanto, que “Houve duas Copas do Mundo no Brasil”, com o verbo “haver” no singular, pois ele é impessoal ao significar “ocorrer”, e todo verbo impessoal deve ser conjugado sempre na terceira pessoa do singular. Veja outros exemplos:

“Havia centenas de milhares de manifestantes”;

“Haverá muitas manifestações ainda”;

“Muitos conflitos houve durante as manifestações”. 

Caso se use um verbo que exija sujeito, aquele deve concordar com este:

“Ocorreram duas Copas do Mundo no Brasil”;

“Existiam centenas de milhares de manifestantes”;

“Acontecerão muitas manifestações ainda”;

“Muitos conflitos sucederam durante as manifestações”. 

Outro ponto a se observar é o uso do artigo diante do substantivo “Copa”. Na frase entoada nas manifestações, omitiu-se o artigo, mas o adequado é que ele seja usado, pois trata-se de uma Copa específica – a que ocorrerá no Brasil em 2014. Se fosse substantivo genérico, não haveria o artigo. Por exemplo, se a Copa não se realizasse no Brasil e alguém dissesse que jamais seria realizada aqui, a frase poderia ser “Jamais haverá Copa do Mundo aqui”, sem artigo por ser genérico. 

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