Se nem Jesus agradou a todos, imagine eu! Não imagine! – Gramática On-line
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Se nem Jesus agradou a todos, imagine eu! Não imagine!

Que direi eu! Que dirás tu! Que diremos nós! Que dirão eles!

Que direi eu! Que dirás tu! Que diremos nós! Que dirão eles!

Há erro (s) no período abaixo?

“Se nem Jesus conseguiu agradar a todos, imagine eu que nem me esforço.”


Reflita um pouco antes de ler a resposta!


 

A inadequação reside no uso do verbo “imaginar” no modo imperativo – “imagine” – sem que haja ordem, apelo, pedido ou conselho.

 

Esse é um tipo de construção em que se busca aproximar-se do interlocutor trazendo-o à conversação mesmo sem sua ação efetiva. Um exemplo bastante comum hoje em dia é o uso de frases como “pensa numa pessoa engraçada!”; “pense num negócio benfeito”; “pensa numa viagem boa”. Estruturas inadequadas à boa sintaxe.

 

Não há interlocução. Não pode haver, então, ordem, apelo, pedido ou conselho. A frase, portanto deveria ter outra estrutura sintática. Por exemplo:

 

  • Se nem Jesus conseguiu agradar a todos, eu, que não me esforço, tampouco conseguirei.

 

  • Se nem Jesus conseguiu agradar a todos, muito menos eu, que nem me esforço, conseguirei.

 

  • Se nem Jesus conseguiu agradar a todos, que dizer de mim, que nem me esforço?

 

  • Se nem Jesus conseguiu agradar a todos, que dirá uma pessoa como eu, que nem me esforço.

 

Observe que a oração “que não me esforço” ou “que nem me esforço” deve estar entre vírgulas, por ser subordinada adjetiva explicativa, ou seja, indica uma característica acessória do termo anterior – eu.

 


 

O dicionário Houaiss registra a locução “que dirá” no sentido de “muito menos”, usada em sentido comparativo, e exemplifica com a seguinte frase:

 

  • Se a irmã não havia estudado, que dirá ele, que é preguiçoso!”

 

Sintaticamente, o pronome “ele” é sujeito do verbo “dizer”, porque, se fosse complemento verbal, o pronome  “o” é que deveria ser usado. Portanto, se, no lugar de “ele”, usar-se a primeira pessoa do singular, o pronome “eu” é que surgirá, por ser ele o sujeito de um verbo. Sendo “eu” o sujeito de “dizer”, este terá de concordar com o sujeito: direi.

 

  • Se ela não havia estudado, que direi eu!

 

O mesmo ocorre com os outros pronomes:

 

  • Se ela não havia estudado, que dirás tu!
  • Se ela não havia estudado, que diremos nós!
  • Se ela não havia estudado, que dirão eles!